Samuel Matzig na Ibirapi Contemporânea

Silent Beings, exposição de Samuel Matzig está patente na galeria Ibirapi Contemporânea, em Lisboa, dede 8 de novembro até 22 de dezembro de 2018.

Porque temos a certeza/ que ambos somos sombras

O artista suíço baseado em Lisboa Samuel Matzig oferece-nos em Stilles Wesen (“seres si- lenciosos”) uma dadiva, olhando para as coisas secas da natureza numa forma sóbria de intuição interior e uma simples liberdade artística para suspender o tempo enquanto esse momento demora. Aqui, o peso do nosso conhecimento é muito mais leve do que o da nossa intuição e podemos imaginar – como na música dos Tocotronic – que ambos, nós e as coisas que nos rodeiam, tornamos abraçados como simples sombras. Só assim então poderíamos suspender o fluxo da história para descobrir nosso próprio tempo.

As densas fotos em preto e branco de Matzig apresentam perspectivas sobre coisas en- contradas na natureza, captadas pela luz natural e partindo para a escuridão. O seu trabalho apoia-se no movimento da nova objetividade (Neue Sachlichkeit), outrora criticado por Walter Benjamin em seu texto Short History of Photography. Referindo-se ao título emphático dolivro de fotografia acerca das “coisas” (Dinge) de Renger-Patzsch, infelizmente chamado deO mundo é belo!, Benjamin destacou como o movimento da nova objetividade da arte incluiria um silêncio sobre as realidades escuras e severas das quais os humanos sofrem, incluindo a crescente mercantilização e promoção comercial da beleza em qualquer imagem da nova objetividade, sem até mencionar o silencio acerca das estruturas sociais totalitárias. Em res- posta à crítica de Benjamin sobre o foco da nova objetividade nas coisas dentro da perda da aura e a negligência da singularidade inerente às obras de arte e encontros humanos, Matzigreabre o debate sobre a realidade humana e as “coisas” na fotografia. Assim o autor respondecom o seu Stilles Wesen com saídas e cortes (Ausschnitte) de coisas que secaram no violen- to fluxo e curso histórico do tempo, esse rio que leva as coisas consigo e nós com ele.

Silent Beings, então, fornece ao espectador com uma lenta demora um barco de salvamentoe, com isso, nos dirige numa viagem sem fim, um tempo estranho para um destino futuro ain- da pouco claro. Ao focalizar as imagens em cortes e pedaços de coisas secas da natureza, os “seres silenciosos” provocam um igual estado de espírito árido na perceção estética. Assim, a contemplação artística dos movimentos cósmicos da natureza mostra resistência, crian-do uma topologia da sobriedade sombria colocada na superfície fotográfica. Ao não agarrar com força o sujet da imagem como um objecto reconhecível, objetos ordenados científicos epreparações de plantas como no Art Forms in the plant world (Karl Blossfeld) e, contemplan- do o trabalho de Matzig, temos que nos perguntar:

Como nos transformamos em Seres Silenciosos enfrentando o tempo?


Informações úteis:Ibirapi.png

Ibirapi Contemporânea

Samuel Matzig

 

Entrada Livre

 

Horário: De terça a sexta das 13h às 19h, sábado das 10h às 19h (e por marcação)

Transportes: Carris 210/718/728/793

Morada: Calçada Duque de Lafões, 74, 1950-102 Beato, Lisboa

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