Fernando Branquinho, o retratista dos mundos paralelos

O conceito de artista surge, por vezes, com a controvérsia do seu real significado. Qual o verdadeiro objetivo da criação? Criar para vender e vender para criar são na realidade separados por uma linha muito ténue à qual só os reais artistas resistem. Fernando Branquinho é um artista, o Retratista.

 

“Todas as formas de expressão artística partilham o propósito de criar e gerar emoções”

 

Não será novidade a do negócio da arte, e o facto de os próprios artistas lhe tirarem proveito deve ser celebrado, pois nos tempos que correm este é um privilégio, viver da própria arte e do que se cria, isto nem sempre significa sustento. Fernando Branquinho foi escolhido para a Arte que Apanha o Olho por ser um artista e empreendedor que não compromete o seu talento para o capitalismo.

Com loja na margem sul do Tejo, Fernando Branquinho, que antes de ser fotógrafo de estúdio foi saxofonista, faz de galeria o seu estúdio e do seu estúdio galeria, é aqui que vai começar todo um complexo processo de inspiração, preparação e realização que pode levar semanas ou meses a concretizar.

 

“Revejo-me na pintura, no retrato (…) não tenho interesse em criar fotografias reais.”

 

Aprendeu sozinho, desenvolveu o seu talento com base na tentativa erro e muito treino – já lá diz o ditado que a prática leva à perfeição. Fernando Branquinho considera que de alguma forma já se cresce com sensibilidades que depois se tornam nestes talentos; o sentir a luz, a perceção estética – como na música – para além de ter a técnica, há que se ter muito mais sensibilidade.

As fotografias do artista são, na realidade, caracterizações cujos pormenores são pensados da mesma forma que se escreve uma história. O modelo passa a ser ator, a personagem ganha uma personalidade um passado e um presente. Tudo isto é pensado e limado muito além de focar a imagem e pressionar o botão, é só depois de todo este trabalho de casa estar feito que as fotos são trabalhadas em digital e, como diz Fernando Branquinho, é aqui, depois do trabalho de casa estar feito, que se pode deixar fluir a criatividade.

A personagem é sempre o foco central e é à sua volta que se desenrola toda a história, o fundo, as paredes e o chão carregam consigo a textura que nos vai dar o ambiente da foto em conjunto com a luz – tons alegres, luz brilhante, tons sombrios mais contrastantes, mais melancólicos. Depois há a roupa (ou não), esta é quase como uma localização, onde está esta pessoa? em casa, na rua, tom descontraído ou mais profissional, vintage ou contemporâneo, detalhes como luvas fora de contexto, vestidos de gala, cabelos arranjados, acessórios por vezes despropositados, todos eles são um passo a mais para compreender tudo o que se está a passar nesta pequena história.

 

“A fotografia não pode ser estéril, tem de haver uma razão.”

 

É assim que o artista cria as personagens, são imagens de pessoas que não existem no mundo real, são figuras resultantes de um longo processo de trabalho e criação, ao contrário por exemplo, do fotojornalismo que por si também quer contar uma história mas que, por norma, funciona com base na espontaneidade, a captura do momento para representar um acontecimento.

Por fim sai a foto, aliás a obra, mais do que uma foto é toda uma história que está a ser contada, e o artista confessa que o prazer, esse, ele tira todo no processo de criação mais do que no trabalho final em si, o final é o culminar de todo o trabalho e como ele mesmo diz, não cria uma relação emocional com o final do trabalho. Deste que acabou, nasceu caminho para outro, e outro mais, e é assim que Fernando Branquinho se torna artista e nos mostra o que quer retratar no mundo.

“Sou retratista, porque retratar é interpretar, construir e reinventar-me em cada fotograma mas é também um ato de generosidade ao conceder uma nova versão ao outro que na maioria das vezes o próprio desconhece, ser retratista é encontrar respostas nas perguntas erradas, é estar mais próximo, é estar mais tempo é estar mais presente nos detalhes, é ir muito mais além do registo, Retratar é libertar os outros e liberdade é AMOR.”


Biografia:

Fernando Branquinho.jpg

Nasceu em Moçambique, vive e trabalha no concelho do Seixal. A sua loja – O Retratista – fica na Cruz de Pau, Amora.

Em 2013 a editora Mindaffair publicou o seu livro “Profession Artiste Arte do Transformismo em Portugal”

Em 2016 integrou a seleção portuguesa para a World Photographic Cup no Texas (EUA), onde Portugal venceu pela primeira vez esta competição.

Em 2016, recebeu um prémio de mérito na categoria de Ilustração na competição de Fotógrafo Europeu do Ano, pela Federation of European Professional Photographer (FEP) e foi esta que o distinguiu com duas qualificações, como Fotógrafo Qualificado Europeu (QEP), na categoria de Ilustração em Derby, UK, a 20 de Junho de 2015 e na categoria de Retrato em Granada, ESP, a 22 de Novembro de 2015.

Em 2017, voltou a ser selecionado para competir em Yokoama (Japão), onde os portugueses subiram ao pódio, pelo segundo ano consecutivo, consagrando-se bicampeões mundiais em fotografia.

Ainda em 2017, foi um dos finalistas da categoria de Moda para Fotógrafo Europeu do Ano, tendo obtido um prémio de distinção nesta categoria e um prémio de mérito na categoria de Ilustração.

Para os mais curiosos (e corajosos), aqui fica o podcast de uma entrevista que Fernando Branquinho participou:


Links e referências do artigo:

O Retratista

European Photographers

Instagram

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