Susana Chasse e Rui Tavares na Galeria Sete

“Wall Games – one2one” de Susana Chasse e Rui Tavares está em exposição na galeria Sete, em Coimbra, desde 13 de maio até 23 de junho de 2018.

Inauguremos o jogo. Tábua rasa onde a premissa se governa por uma única regra mas que se coreografa num pacto de leis camufadas de paridade. A estratégia eleita não se conhece ao certo, nem quem são os aliados, quem joga, quem está a jogar e quais os benefícios reais. É jogo de um para um, propõem os autoproclamados autores, mas a cooperação de um terceiro jogador móvel, o público, é imperativa. Aquele que comparece, o que soma as partes, o que baralha e dá novo sentido. Como que um inspector que cria prova, a narrativa da tradução, que advoga e coroa com o seu juízo inal.

Dois jogadores são soberanos, P1 (Player1) e P2 (Player2). Arquitectam a trama de abstracção kafkiana repleta de cenários mutantes. As partes não demostram contenção no uso da forma para que o bem comum seja norma. Neste espaço geográico de galeria, deposita-se o vírus das mesmas questões e não soluções cíclicas, contaminadas por iguais ideais. Neste campo de acção, a pintura propaga-se em vectores sequenciados que transportam o genoma encriptado. Uma brincadeira permite à abstracção incluir nela tudo o que não compreendemos. São camadas de conhecimento ético, estético, espiritual, social, pessoal e ains que circunscrevem a ignição do entendimento desta conjuntura. Os níveis de interpretação das regras e a leitura do alvo abstracto, são vivências em estado líquido, dependem do jogador móvel, sendo o seu desfecho subjectivo e ambíguo tal como o carácter da proposta. A memória intelectual, mas sobretudo emocional, é convertida na abstracção como forma de solucionar o que não se conhece. Arruma-se a não função das coisas tornando-as utilitárias, efectivas e até reconhecíveis mas isentas de assinatura factual.

Todos os jogos politicamente desleais são baseados num Ministério da Verdade, o poder que obscurece a existência através do império inanceiro virtual que alimenta o plano primário da subsistência, a ilusão do absoluto.

No im são as batalhas campais que icam, as que acontecem dentro de nós, num mesmo território onde há um reconhecimento do lugar, onde tudo se desvenda dentro. Aí, a batalha converte-se em missa e o altar improvisado ocorre por força da subsistência interior. A alma recupera-se a si mesma. Tudo o que nos rodeia nos pertence, é parte de nós, é peça fundamental do nosso não jogo. É o ponto onde não há jogo, é vida na sua suprema e pura manifestação, forma sem modas nem favores. Quando alguém perde somos todos nós, individualmente, que perdemos… Que as nossas acções sejam sempre regidas por um só jogo, o do interesse comum, da verdade. A ética e a estética têm a mesma harmonia e o belo e o bom são o espelho da proporção da Regra única.


Informações úteis: Galeria sete

Galeria Sete

 

Horário:

De segunda à sexta das 11h30 e às 13h e das 14h às 19h30.

Sábado das 15h às 19h30

 

Morada:

Avenida Dr. Elísio de Moura, 53, 3030-183, Coimbra

 

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