Felix Culpa – de Dora Longo Bahia

Exposição individual de Dora Longo Bahia patente desde 21 de Março até 12 de Maio de 2016 na Galeria Pedro Cera em Lisboa.

A artista conceptual brasileira apresenta nesta mostra um conjunto de trabalhos em distintos suportes mas com um traço comum de representação da violência, seja em modo bélico, explícito, seja em modo mais ou menos encoberto, politico, literário, sexual, mais ou menos sofisticado.

Em “A Girl A Gun – American Shot”, serie de 195 pinturas sobre papel que tem como referência mais próxima a ideia expressa por Godard de que tudo o que se necessita para fazer um bom filme é uma rapariga e uma arma, Bahia constrói uma narrativa a partir de 195 narrativas cinematográficas que contêm 195 mulheres empunhando armas, sempre representadas em plano americano (o American Shot dos filmes de cow-boys que potenciava a virilidade daquele que disparava). O inusitado sexismo da frase de Godard (autor que a artista confessadamente admira) e a dicotomia de representação arma-pénis, são ambiguidades que interessam a Bahia e que concorreram para a execução desta serie.

A série Farsa, da qual se apresentam duas obras na presente exposição, propõe entender a pintura como uma área de conhecimento onde imagens da história da arte, do fotojornalismo e da ficção cinematográfica, se vinculam formal e conceptualmente. Têm o objetivo de manter a função crítica característica do modernismo, desta vez voltada para outros sistemas de imagens que não podem ser abarcados totalmente pelo sistema da arte. Por meio da reinterpretação de obras do passado, com ênfase na marca deixada por imagens exemplares, pretende restabelecer a relação entre a pintura e a realidade contemporânea, redefinindo os limites da pintura em termos críticos e amortecendo a tensão distintiva entre os meios da pintura e as coisas.

Surgem assim, em posições semelhantes e a ocupar superfícies de pintura de dimensões iguais, Che Guevara, herói revolucionário morto pelo exército boliviano e Edson Luís, estudante brasileiro assassinado durante a ditadura do Brasil, no lugar do Marat Assasiné de David.

O novo trabalho vídeo “Dialética”, que surge na sequência da longa-metragem ainda inédita “O caso Dora” (uma referência da artista a Freud, não a si mesma), mostra, numa projecção tripla, uma performance de Shibari, uma performance de dominação sadomasoquista e um excerto do texto de Hegel “O Senhor e o Escravo”.

Dora Longo Bahia percorre aqui os temas da dominação, da subjugação e da interdependência. O Senhor, o Mestre, necessita da anuência e do reconhecimento do submetido para sê-lo, sendo que a única possibilidade onde subsiste potência de transformação é no submetido, no escravo de Hegel. Só este se pode transformar ao não depender do reconhecimento do outro para sê-lo.

Nesta, como na maioria das suas obras, observa-se violência. Perigo, ameaça, presente ou latente, urgência, subversão, subjugação, dominação. É assim em “Dialética” e é assim em “Mateus e Paula”, a escultura composta por dois copos gravados com tatuagens de um casal pertencentes à máfia Russa, ou nas paisagens idílicas de “Felix Culpa”, uma praia tropical ameaçada com o vermelho de sangue da caravela quinhentista que se aproxima do coqueiro do Índio.

 

Dora Longo Bahia

Nasceu em 1961 em São Paulo, onde vive e trabalha. É doutorada em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde lecciona. Nas suas exposições recentes destacam-se, entre outras, “ Desastres da Guerra”, na Fundação Joaquim Nabuco, Recife, e no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, “140 Caracteres”, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, “Imaginários Contemporâneos”, Museu Tecnológico de Monterrey, Monterrey, “The Spiral and the Square”, SKMU Sorlandets Kunstmuseum, Kristiansand, Noruega e Bonnier Konsthall, Estocolmo ou “Video et Aprés”, Centre Pompidou, Paris.


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Informações Úteis:

Galeria Pedro Cera

Entrada Live

Horário:
3ª a Sexta: 10h às 13h30 e 14h30 às 19h
Sábado das 14h30 às 19h

Morada:
Rua do Patrocínio, 67 E, 1350-229 Lisboa

Transportes:
Autocarro: 709
Eléctrico: 25 e 28

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